O Zumbi da Virtude

O Zumbi da Virtude

Dança dos Mortos Morais

A moralidade... esse cadáver perfumado.
Ela anda, mas não vive. Brande bandeiras, mas não age.
Seu cheiro embalsamado entorpece a pólis.
Não é ética. Não é justiça. É simulação.

Platão olhava para o alto. Lá via a cidade perfeita. E enquanto olhava, tropeçava nas pedras.

Hegel viu o Espírito do Mundo e esqueceu o corpo que sangra na rua.

Toda ideia que ignora o concreto é uma arma cega.

A política não nasce da perfeição: nasce da urgência.


A Fantasmagoria que Paralisa

Quando não se sabe o que fazer, inventa-se um "dever".

A moral é a bengala dos impotentes.
É o "não posso" travestido de "não devo".

"A moral é o veneno dos fracos, transformado em lei para os fortes."

"O poder não proíbe, ele produz."

Moralidade: produção em massa de zumbis éticos.


O Rebanho Louva a Escassez

Compara-se o Estado a uma dona de casa. E riem. E aplaudem.

Quem pensa o público como privado não entende nem um, nem outro.

"Tudo o que é profundo ama o disfarce."


Austeridade como Confissão de Pecado

Esse discurso não é técnico. É teológico. É a missa negra da responsabilidade fiscal.

O altar: o déficit. O sacrifício: o povo. O dogma: "não gastarás como se fosses Deus".


Todo moralista é um inquisidor frustrado.
Ele não quer justiça. Quer controle. Quer pureza.

Nietzsche os conhece: os "sacerdotes do ressentimento".
Eles odeiam a potência porque ela ofende sua impotência.

Eles odeiam a liberdade porque ela exige coragem.


Os Não-Idealistas

Aristóteles não sonhava cidades perfeitas: observava a cidade como era.
Prudência, contexto, meios.

Hobbes via o caos, e dali tirava um artifício. O contrato, o Leviatã, a paz.

Ambos compreendiam: governar é lidar com homens reais, não com anjos inexistentes.

Toda moral carrega uma genealogia.

Investiga-se a origem da virtude e encontra-se um ressentimento.

Onde está a regra, houve dor. Onde há dever, houve medo. Onde há submissão, houve vingança travestida.

O real é sujo, conflituoso, parcial.
A moral quer esterilizá-lo.

Mas a política nasce do conflito, não da pureza.

Onde tudo é moral, não há política. Há guerra civil disfarçada.

Nem moral. Nem amoral. Mas trágico. Consciente do abismo. Amante do risco.

A moralidade precisa morrer para que a liberdade nasça.

A virtude deve se despir de dogmas e vestir-se de coragem.

A política do futuro é feita de transição, não de redenção.


Epílogo: Destruir a Moral é Libertar a Política

A moralidade coletiva é sempre imposição.
A ética verdadeira é sempre criação.


Viva o homem que ousa agir mesmo sem absolvição.