"E pur si muove.”
Um homem caminhava entre os homens de sua cidade.
Nada possuía, exceto perguntas.
Com elas desnudava certezas, e isso era perigoso demais.
Foi acusado de corromper a juventude, de afrontar os deuses, de pensar além.
Poderia ter fugido.
Preferiu beber o veneno diante de seus discípulos, como quem prova que há destinos maiores que a própria vida.
Partiu dizendo, sem palavras, que uma vida sem reflexão não merece ser vivida.
Séculos depois, outro homem ergueu seus olhos ao céu.
Inventou um espelho de vidro e metal e ousou ver o que ninguém queria enxergar.
As órbitas não seguiam a coreografia oficial: era a Terra que dançava em torno do Sol.
Chamaram-no de herege.
Obrigaram-no a renegar sua própria visão.
Envelheceu prisioneiro, mas guardava no coração uma frase: e, no entanto, ela se move.
Porque a verdade não precisa de aplauso para permanecer sendo verdade.
Em outra era, entre gritos de liberdade e promessas de igualdade, um sábio foi levado ao cadafalso.
Não por erro, não por crime, mas porque o poder não tolera mentes livres.
Era ele quem havia dado nome aos elementos invisíveis da matéria.
E diante da guilhotina ouviu: a República não precisa de homens de ciência.
O corte não atingiu apenas sua carne, mas o futuro que ele poderia ter iluminado.
Três histórias, três séculos, três rostos diferentes.
O mesmo destino: ser esmagado pela ignorância coletiva.
Os dominadores sempre temem a luz.
Preferem o conforto das sombras às dores da revelação.
Mas a verdade é indomável.
Ela não se curva a tribunais, não sangra nas guilhotinas, não envelhece em prisões.
Ela espera.
E um dia retorna.
Agora, os nomes que escondi:
- O filósofo era Sócrates.
- O astrônomo, Galileu.
- O cientista, Lavoisier.
Nomes que celebramos, mas destinos que esquecemos.
Glórias que repetimos, mas tragédias que silenciamos.
Que essas histórias nos despertem.
Para que não sejamos como aqueles que julgam.
Que não escolhamos as trevas confortáveis dos dogmas, mas a vertigem da busca.
Porque toda vez que a ignorância domina, a história se curva e se atrasa.
E porque, no fim, só há uma sentença que realmente importa:
a verdade sempre retorna — e o tempo cobra caro de quem tentou enterrá-la.